Risco inflacionário com a guerra
A economista Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, avalia que o Banco Central (BC) assumiu um risco ao iniciar o ciclo de corte da taxa Selic, que foi reduzida para 14,75% ao ano, mesmo com a persistência da guerra no Oriente Médio. Segundo Srour, o BC poderia ter adiado a decisão, pois a duração do conflito é incerta e já impacta os preços de commodities e insumos.
“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, alertou a economista.
Comunicação do BC e expectativas de mercado
Srour criticou a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) após a decisão, que foi interpretada pelo mercado como “dovish”, ou seja, mais flexível e indicando continuidade nos cortes. Para a economista, essa postura é arriscada, pois pode levar à desancoragem das expectativas de inflação, minando a confiança na capacidade do BC de controlar a alta de preços.
“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante”, afirmou.
Cenário fiscal como novo foco
Olhando para o futuro, Srour aponta que, mesmo com o fim do conflito no Oriente Médio, o cenário fiscal doméstico voltará a ser o principal desafio para a política monetária. A falta de uma âncora fiscal clara e a incerteza sobre a trajetória da dívida pública podem gerar uma crise de confiança, levando à alta dos juros, desvalorização do câmbio e desaceleração econômica.
“Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança”, disse. Ela ressalta a importância de os candidatos eleitos sinalizarem um compromisso com o ajuste fiscal para evitar esse cenário.
Fonte: investnews.com.br
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