Um novo capítulo para a Kering
Luca de Meo, renomado executivo do setor automotivo, assumiu a liderança da Kering com a missão de revitalizar a Gucci, marca que representa uma parcela significativa do império de luxo. Sua abordagem, focada em métricas industriais e uma ótica operacional, difere da gestão mais flexível de seu antecessor, François-Henri Pinault. De Meo busca otimizar a produção, alinhá-la mais de perto com a demanda real do consumidor e agilizar a resposta às rápidas mudanças de gosto no mercado de luxo.
Inspiração fora do comum
Em sua busca por inovação, de Meo não hesita em olhar para além do universo do luxo. Ele já apontou a Inditex, dona da Zara, como um exemplo de sucesso em eficiência, elogiando sua capacidade de sincronizar produção com demanda e de renovar coleções com agilidade. Essa mentalidade de “novo mundo”, onde a consolidação e a reestruturação se tornam imperativas, guia suas decisões. As ações da Kering já demonstraram otimismo com a nova gestão, registrando uma alta considerável desde sua chegada, embora parte desse movimento seja atribuído à recuperação de um patamar baixo.
Desafios e novas estratégias
A reestruturação, contudo, não está isenta de obstáculos. Analistas debatem se a desaceleração atual do mercado de luxo é meramente cíclica ou se reflete uma mudança estrutural, com os consumidores de altíssima renda mantendo seus gastos enquanto os aspiracionais recuam. Essa polarização expõe a Kering a riscos maiores em comparação com rivais como Hermès e Chanel. Para fortalecer a empresa, de Meo tem investido em novas contratações, incluindo um engenheiro automotivo para a direção industrial e um ex-executivo da Amazon para liderar a área de clientes, além de trazer consultorias renomadas para apoiar a transformação.
A Gucci sob nova visão: “See Now, Buy Now” e otimização
A primeira aparição pública de de Meo em um desfile da Gucci, sob a direção criativa de Demna, já sinalizou mudanças importantes. A adoção do modelo “see now, buy now”, com parte da coleção imediatamente disponível para compra, reflete a urgência em conectar a passarela com o consumidor. O evento, realizado em um ambiente industrial e com a presença de celebridades, contrastou com a usual discrição dos eventos automotivos. A coleção, que reinterpretou elementos icônicos da marca com uma estética urbana, recebeu elogios de de Meo pela sua qualidade e conexão com o legado da Gucci. A estratégia de otimização se estende à rede de lojas, com planos de reduzir o número de unidades da Gucci e de outras marcas, além de buscar maior integração na cadeia de suprimentos e na utilização de fornecedores, inspirando-se na sinergia da indústria automotiva.
Fonte: investnews.com.br
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