A Virada Estratégica sob o Comando do BTG
A Eneva, outrora parte do conglomerado EBX de Eike Batista, renasceu como uma força dominante no setor elétrico brasileiro, em grande parte devido à intervenção e investimento do BTG Pactual. A empresa, que integra a produção de gás natural com a geração de energia elétrica, viu seu portfólio praticamente dobrar após o maior leilão de reserva de capacidade recente, garantindo uma receita fixa anual adicional de R$ 8,7 bilhões em novos projetos a gás. Sob a gestão do banco de investimento liderado por André Esteves, a Eneva se transformou em uma das maiores geradoras térmicas do país, com receitas projetadas para atingir R$ 18,4 bilhões em 2025 e valor de mercado alcançando R$ 52 bilhões, com suas ações (ENEV3) valorizando 116% em 12 meses.
Origens no Império de Eike Batista e o Modelo ‘Reservoir-to-Wire’
A história da Eneva remonta à visão de Eike Batista, que uniu a MPX, focada em geração térmica, e a OGX Maranhão, voltada à exploração de gás natural. Criada inicialmente para suprir a demanda por energia térmica após o apagão de 2001, a MPX deu os primeiros passos com a Usina Termoceará. Em 2009, a OGX Maranhão foi estabelecida para explorar o gás natural na Bacia do Parnaíba, com o plano inovador de conectar a extração de combustível à geração de energia nas proximidades. Esse modelo, conhecido como ‘reservoir-to-wire’ (do reservatório ao fio), tornou-se um dos pilares do negócio atual da Eneva, que hoje opera 12 campos de gás na Bacia do Parnaíba e seis usinas térmicas no Complexo Parnaíba, com capacidade instalada de 1,9 GW.
Recuperação Judicial e a Consolidação do BTG como Acionista Majoritário
A crise financeira do grupo EBX em 2013 afetou severamente o braço de energia. Em 2014, já rebatizada como Eneva, a empresa entrou em recuperação judicial com uma dívida expressiva. O plano de reestruturação, que incluiu a conversão de dívidas em ações e novos aportes, redesenhou a estrutura acionária, diluindo o controle de Eike Batista. O BTG Pactual, inicialmente credor, emergiu como peça central da nova estrutura acionária. Em 2016, o banco se consolidou como o maior acionista, com 33,7% do capital, impulsionando a fusão formal dos negócios de gás e energia e um novo ciclo de expansão. A empresa também expandiu sua lógica ‘reservoir-to-wire’ para outras regiões, como o projeto Azulão no Amazonas e o Hub Sergipe.
O Novo Papel das Termelétricas e a Vitória no Leilão de Reserva de Capacidade
A partir de 2024, o BTG Pactual intensificou sua participação, concentrando seus investimentos em geração de energia e gás natural na Eneva, o que culminou na incorporação de usinas térmicas ligadas ao banco. Essa manobra reduziu a participação da família Moreira Salles e consolidou o protagonismo do BTG, que hoje detém cerca de 25% da Eneva, somando quase 48% com o veículo BPAC Infra. A Eneva se destacou como grande vitoriosa no recente leilão de reserva de capacidade, onde o governo contrata a disponibilidade de geração para garantir a segurança do sistema elétrico, especialmente diante da intermitência das fontes renováveis. A empresa teve a contratação de 5,06 GW, elevando seu portfólio total para 10,8 GW. Este resultado resolveu a principal preocupação da tese de investimento na companhia: a exposição a oscilações de preço e incertezas sobre o acionamento das usinas, fortalecendo sua posição como um ativo robusto no setor.
Fonte: investnews.com.br
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